29 de mai. de 2010

Meu Cão



Olhei meu cachorro brincando, mas em geral ele não brinca sozinho.
Hoje o companheiro dele era meu gato. Observei atentamente os minutos, que para mim, pareceram um instante mágico.
Os dois brincando alegremente, um respeitando o limite do outro. Algo que, para os seres humanos, não existe.
Os dois brincavam sem se importarem com suas origens, ou se pela lei da natureza nasceram para serem inimigos. Eles não estão nem ai, apenas se divertem.
Comecei a pensar nas vezes que fui ignorante com o meu cão, quando tudo o que ele queria era apenas brincar. E em quantas vezes gritei com ele e a única reação que ele teve foi abanar o rabo.
Pensei também em quantas vezes fui rude com alguém, quando essa pessoa queria apenas conversar. Em quantas vezes não dei atenção a alguém, quando essa pessoa queria apenas a minha atenção por alguns segundos. E em quantas vezes disse mais tarde, para algo que me faça feliz, por estar ocupada demais.
Continuei observando meu cão e meu gato, até que o meu bom amigo percebeu a presença de um ser estranho, viajante que o observava. O segundo seguinte foi seguido por patas batendo no chão e rabo abanando.
Quando percebi, ele já estava pulando em mim, me lembrando que, não importa o que aconteça ou como eu esteja ele sempre vai estar me esperando, feliz. Isso é mais uma coisa que tento aprender com o meu cão.
Porque só quem tem um animal e o ama de verdade, sabe de sua importância e o quanto ele nos ensina.

28 de mai. de 2010

Perdas

Eu nunca me dei muito bem com perdas. Não é da minha natureza. E pra mim não faz o menor sentido.

Sempre tive, e continuo tendo, medo de perder as coisas e pessoas que amo. Quando criança quando acordava e não encontrava minha mãe em casa corria pro quarto dela pra olhar o seu guarda-roupa. Vai que ela me deixasse. Vivia na incerteza, mesmo sem nenhum motivo.

E assim passou os anos, porém continuo com o mesmo medo. E não importa o tamanho dele, continuo com minhas perdas.

Superar as perdas é necessário. OK. Mas não é necessários aceita-las.

Não aceito nenhum tipo de perda, desde a perda insignificante de uma blusa de frio (o qual tenho um dom extraordinário) à perda da minha madrinha no ano passado (que para mim foi muito difícil, apesar da distância em que vivíamos a alguns anos).

Por não aceitar eu sofro, antecipadamente, com a idéia de que um dia eu posso ter a pior perda de todas e não falo a da minha vida. Falo da vida de minha mãe.

A pessoa mais importante do mundo, pra mim. Sei que um dia irá acontecer, mas sei também que não irei superar. E só de pensar nessa possibilidade, sofro.

Pego esse sofrimento e transformo em momentos únicos. Como assim? Aproveito minha mãe ao máximo. Desde uma conversa despretensiosa às 06 da manhã de uma terça-feira cinzenta, a uma ótima tarde regada a sorvete de um dia ensolarado.

Em grande maioria, quem conhece a minha gordinha e o nosso relacionamento, admira. Hoje em dia um jeito de viver, livre, como o nosso é raro.

Não estou aqui pra me gabar de ter uma mãe (quase) perfeita. Mas pra mostrar o valor que dou a ela e o quanto é importante pra mim. Mesmo ela sendo (de vez em sempre) meio desajuizada e avoadinha.

Seguimos assim, no nosso mundo, eu sendo filha e mãe e ela sendo mãe e filha.


27 de mai. de 2010

Cotidiano



Os meus melhores pensamentos e as minhas mais loucas idéias, ocorrem por acaso, em geral dentro do ônibus, o balanço parece ativar meu cérebro.


Viajo. Não importa o horário, pode ser às 06 horas da manhã quando estou indo para o serviço (10 minutos proveitosos) ou no congestionamento noturno a caminho da faculdade.

Meus pensamentos caminham soltos, sem direção, se atropelam violentamente; tenho essa capacidade de pensar mil coisas ao mesmo tempo e pensar em nada.

Planejo meu dia inteiro em um segundo, pra no segundo seguinte mudar todo o roteiro.

Penso, repenso, converso e dou risada sozinha, tudo dentro do ônibus.

Sempre percebo olhares estranhos para a louca sorridente sem motivos, que está em pé absorta em algo irrelevante para os outros passageiros.

Assim sigo no meu cotidiano, com uma idéia atrás da outra, com pensamentos a mil e com um sorriso estampado no rosto.

É isso são pensamentos divertidos, censurados, diversificados e imagináveis de uma Loira.